Sentimento de segurança


“Quando eu mentalizo o que eu busco eu não mentalizo um cargo público, e sim minha INDEPENDÊNCIA, minha LIBERDADE, minha SEGURANÇA” (aluna anônima). . . De início, acredito que a premissa não seja universal. Existem aqueles que sonham em ocupar determinados cargos e veem a estabilidade do serviço público em segundo plano. Um exemplo: os apaixonados pela carreira policial. Não que o pretenso soldado ou delegado dispense o soldo e a remuneração, obviamente. É que, para alguns, ocupar esse ou aquele cargo é um sonho de criança ainda experimentado na fase adulta. . Afinal, agora que você cresceu, o que resolveu ser? . Para uns (tal como no exemplo acima), a resposta continua a mesma e não há qualquer impedimento para o sonho se tornar realidade. Pessoas assim querem os atributos do cargo e o resto é “apenas” uma consequência muito bem vinda. São pessoas que sonham em “servir” ao próximo. Se você é uma dessas pessoas, o resto deste texto não será interessante e nem útil. Todavia, se o seu sonho de bailarina sucumbiu diante de um joelho estragado ou mesmo se você descobriu, cedo ou tarde, a volubilidade dos desejos humanos, continue lendo... . INDEPENDÊNCIA/LIBERDADE são desejos contraditórios ao desejo de SEGURANÇA. Uma criança não é independente e nem livre, mas goza da segurança de um lar, de uma cama para dormir, da comida posta à mesa, etc; os mochileiros são livres, mas amargam enorme sentimento de insegurança na satisfação de algumas necessidades. Todavia, do modo como os desejos (liberdade/independência e segurança) são narrados juntos (desejados em conjunto), penso que o acesso ao cargo público é apenas uma forma de permanecer criança sob os cuidados de um novo gestor (o Estado). A liberdade e a independência, nessa ótica, seriam manifestações de “poder de consumo” (o quê, quando, quanto e onde comprar): “quanto mais remunerado eu for, mais livre e independente eu serei”. A segurança, nessa linha, é a certeza de que nada faltará (fé no Estado). Obviamente, essa não é a “verdadeira liberdade” (capacidade de escolha baseado na ética) e a fé em um Estado infalível revela inocência. . PONTO UM. Liberdade é o poder de escolher respeitando regras e conceitos que sejam universalmente aceitos (ética). O sujeito que escolhe matar seu semelhante (sem justificantes penais que o abonem) não goza de liberdade. Também não é livre aquele que abandona seus filhos impúberes para “viver a vida”. Liberdade exige respeito às regras e o concursado se submete a tantas regras quanto àquele que ainda almeja ingressar nos quadros funcionais do Estado. Com uma só diferença: quanto mais responsabilidade, menor será sua liberdade de fazer escolhas. Um juiz não pode faltar ao trabalho, quarta-feira à tarde, para fazer aula de stand up paddle, por exemplo. . PONTO DOIS. É possível que a NECESSIDADE DE SEGURANÇA esteja relacionada a alguns eventos traumáticos em sua vida: separação dos pais, crise financeira, prodigalidade, parentes viciados, etc. Quem já sentiu frio, sai de casa agasalhado. Também é possível que você apenas seja uma pessoa pacata, acovardada para novos desafios ou desinteressada em vivenciar novas emoções, do tipo “nunca comi, mas não gosto”. Não sei seus motivos, mas sei que esse sentimento de insegurança supostamente saciável pela nomeação em determinado cargo público é logo substituído por outras formas de insegurança: medo da doença, da depressão, da solidão, da morte, defasagem salarial, medo de não ser promovida... Quando um funcionário público se diz “seguro”, a explicação que segue é: “pode ser pouco mais é algo certo todo mês”. Observando mais de perto você verá que, em algum momento, ele aprendeu que o sentimento de insegurança é menor quando nos acostumamos com o que temos hoje e paramos de desejar o que não temos. Todavia, não precisa ser servidor público para chegar a essa conclusão, precisa? . .

FINAL: a jornada de quem estuda para concurso é solitária, difícil, dispendiosa, etc. Todo tempo a vida lhe testará em sua escolha. Afinal, por que você está estudando para concurso? Quais as suas razões? Cedo ou tarde você descobrirá que o estudo rende mais quando as razões são mais sólidas e conscientes.

#filosofiadevida

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